domingo, março 14

Uga! Buga! Mim querer... Mim fazer...

Impressionante como milhões de anos de evolução são ignorados todos os dias. E nós nem percebemos. Demoramos milhares de anos para desenvolver um sistema de sons, sinais gráficos e simbologias que nos permitissem repassar as informações de maneira precisa, rápida e minimizando mal entendidos. As ultimas grandes invenções humanas foram justamente para aperfeiçoar essa característica do animal mais evoluído presente na Terra. O telégrafo, o rádio, o telefone, o satélite, a Internet. O celular, o torpedo SMS, o e-mail.

Porém, quando simplesmente ignoramos aquilo que nossos irmãos das cavernas batalharam tanto para configurar as coisas começam a funcionar um tanto quanto tortas. Isso para não dizer que elas não funcionam. Essa semana tive mais um desagrado com essas pessoas que não honram os benefícios que a comunicação proporciona para a humanidade.

Para incrementar minha capacidade de comunicação decidi aprender um idioma novo. E até então tudo corria na mais completa normalidade. Primeiras aulas, primeiras palavras, provas; próximo nível, mais aulas, mais palavras, outras provas. E foi assim até o final do curso básico. Novo livro, novas despesas, nova unidade, outro horário. Como assumi o compromisso de atuar no Noturno – 2010, não poderia mais freqüentar as aulas às segundas-feiras à noite, como de costume. Portanto fiz a transferência para outra unidade, mais próxima do teatro. Porém, faltando uma semana para o início das aulas a comunicação funcionou. Por falta de contingente a turma que eu havia me matriculado não abriu, e acabaram me transferindo de turma e unidade. Faria parte de um grupo aos sábados, pela manhã.

Ninguém merece; sábado. Mas tudo bem, ainda assim seria possível começar as aulas nesse horário até encontrar uma outra turma ou unidade que me aceitassem. Sábado de manhã realmente é o raspo da panela, não da pra sair na sexta, não da pra viajar de final de semana e mais importante: NÃO DÁ PRA FAZER A LIÇÃO QUE VOCÊ ESQUECEU NA ÚLTIMA HORA. Sem dizer que quem é que está totalmente alerta e focado logo cedo no sábado, depois de ter trabalhado a semana inteira?!

Mas qual não Foi a minha surpresa ao chegar na escola de idiomas na manhã de sábado e encontrar vários carros parados no entorno?! Bem, podia ser da missa de sábado de manhã que tem a igrejinha ali perto. Ou melhor, a missa era de domingo. Então podia ser alguma promoção na padaria da rua da frente, mas quando eu passei na frente o movimento estava normal. Pelo menos encontrei um lugar na sombra para estacionar o carro; sinal de “boas vindas” na volta às aulas.

Ainda do lado de fora começo a conhecer as pessoas que, assim como eu, foram premiados com a escravidão dos sábados matutinos. Um pessoalzinho do Avançado 1, Intermediário 3, Básico 2; mas curiosamente não encontrei ninguém do Intermediário 1. Mas nem me abalei, estava feliz e empolgado por voltar a estudar, fui pra secretaria descobrir em que sala eu estudaria.

Então comecei a utilizar aquilo que nossos ancestrais demoraram tanto pra dominar, a fala. “Por favor, eu vim pra turma de Intermediário 1. Qual seria a sala?” então que a menina da secretaria utiliza uma outra linguagem, essa muito mais sutil, porém muito mais expressiva. O olhar dela pro lado, pra outra secretária, dizia: “ai meu deus, ele vai ficar puto. Caiu bem comigo, e eu não sei nem por onde começar.”

Ela pediu um momento, ia verificar o nome da sala. Mas ali eu já tinha sacado que havia alguma coisa de errada. Engraçado como as pessoas pensam que só se comunicam quando abrem a boca, ou quando escrevem alguma coisa. Teatro, ou até mesmo expressão corporal, deveria ser matéria obrigatória nas escolas, assim as pessoas teriam noção de quando queremos mentir alguma situação [como essa] nosso corpo nos entrega, e nós nem percebemos.

Depois de uns 5 segundos procurando minha sala no computador (quem é que encontra alguma coisa em cinco segundos no PC?!) ela me responde com uma pergunta: “Ninguém ligou pra você?” eu me senti em um “jogo do troca”. Sim, haviam me ligado. Duas semanas atrás pra dizer que a minha primeira turma havia sido cancelada e que me transfeririam para essa, aos sábados pela manhã.

“Mas acontece que a turma daqui também foi fechada. Eu já não tenho lugares disponíveis pra poder colocar você. Tem certeza que ninguém te ligou?” Deixa eu ver, a não ser que tenha sido a minha outra personalidade, que esquece sempre de anotar recados... claro que não! Se eu soubesse que não iria ter aula por que eu sairia da minha cama para vir até aqui, trazendo uma mochila pesada e passando calor?

Segundo a “mocinha” eles haviam ligado para todos os alunos da turma. E foi aí que o descaso com essa habilidade rara no mundo animal começou a desenhar-se. A primeira falha de comunicação foi entre eles mesmos, quando a gente tem uma lista de pessoas para ligar existe uma maneira de certificar-se de que ligamos para todos os envolvidos. Confesso que trata-se de um procedimento bastante avançado, e apenas as mentes mais ágeis conseguem chegar a essa conclusão. Quando ligamos para o primeiro número, colocamos uma bolinha, um asterisco, um risquinho, ou qualquer outra marcação gráfica que entenda-se que aquele número já foi chamado. Assim evitamos que o próximo a ligar não ligue para alguém que já foi avisado, ou pior, que alguém NÃO seja avisado.

Já que essa falha de comunicação ocorreu, a segunda foi uma conseqüência. Ninguém me avisou que não haveria turma. Cheguei para ter aula, e no final das contas não teria aula. Com tantos meios de contato, como já citei acima, como ninguém entra em contato comigo para dar uma satisfação sobre o assunto? Afinal de contas, trata-se de uma prestação de serviço; eu, como cliente, estou pagando por um serviço que não foi prestado, mas que eu preciso. Não sou bolsista, nem mesmo desconto não me deram, e as mensalidades estão em dia; portanto preciso ter aulas!

Mas a secretaria tinha a solução: “A gente reembolsa o senhor sem cobrar taxas!” Ótimo. Era o mínimo que vocês teriam que fazer. Mas, por outro lado, o material que eu comprei não tem reembolso; o que eu faço com ele? (ok, não digam o que vocês pensaram!) “Ah, o senhor pode esperar até o próximo semestre e entrar numa turma...” Filha, eu não quero esperar um semestre inteiro. A falha não foi minha, portanto...

Eu acredito que a falta de comunicação exista, é um problema corriqueiro que enfrentamos e sempre iremos enfrentar. Mas não aceito que as pessoas simplesmente não se importem com ela. Acontece sempre no nosso cotidiano. Lembram da ultima vez que você foi ao dentista, ou no médico, com hora marcada?

Quantas vezes você foi pro consultório, era pra você estar na cadeira do dentista às 15h30, e a essa hora você ainda não encontrou nem mesmo uma vaga no estacionamento (em tempo: por que estacionamento de consultório tem 3 vagas e 15 salas de atendimento? Eles pensam que a gente abre uma comunidade no Orkut pra combinar a carona pro dentista?). Entra todo estabanado e vai direto na recepção “Desculpe, acho que eu tô meio atrasado.” E a recepcionista diz toda simpática que não havia problema, você poderia sentar-se ali nas poltronas para esperar. Então você começa a perceber que a pessoa do seu lado tinha marcado para o horário das 14h00 e ainda estava ali. Ou seja, mesmo que você tivesse chegado as 15h00 ainda estaria com o bumbum na poltrona lendo a Veja de 5 meses atrás.

Custa comunicar os horários de forma mais honesta? Custa informar as pessoas que houve algum imprevisto com o horário marcado? Bem se você tiver o plano Infinity pré da TIM são apenas R$0,25 e pode ser até interurbano pra todo o país!

Vamos repensar um pouco a maneira como tratamos esse pequeno detalhe que é a comunicação, mas que é de enorme importância para nosso dia-a-dia. Falhas sempre acontecerão, mas temos de estar preparados para não errarmos várias vezes da mesma maneira. E não ficarmos passivos quando errarem para conosco.

Em tempo: ainda não tive resposta da escola de idiomas (a qual não revelarei aqui). Segunda-feira tenho mais um capitulo nessa novela.

sexta-feira, fevereiro 19

S.O.S. Solidão..........

Ultimamente tenho ouvido algumas pessoas dizerem que São Paulo é uma cidade gigante, com a população de uma Argentina inteira (mas sem os argentinos, que para nós são parentes próximos de outra espécie de ser humano, o Cariocus Malditus), cosmopolita, com a sua vida útil tão agitada que praticamente não dorme. Essas mesmas pessoas também dizem que apesar do grande número de pessoas com as quais encontram-se todos os dias, no caminho pro trabalho, de volta pra casa, no mercado, farmácia, banco; estão sempre sozinhas.
Isso é um tremendo absurdo. Eu não sei em que cidade essas pessoas vivem, mas, por exemplo hoje: saí para trabalhar as 6 horas de manhã, peguei o metrô e, já nesse horário não tinha mais espaço pra entrar. O dia amanheceu até que geladinho hoje, cheguei a pegar uma blusa pra encarar a aventura diária que é chegar na Av Paulista, mas logo me lembrei "Voltamos do Carnaval, agora sim vai ter calor humano no Metrô"!




Mas até aí o problema não é nada de impossível de ser resolvido. Basta parar de trabalhar! Como essa não é uma solução que se adeqüe à minha realidade, vamos em frente.


Um dos problemas mais difíceis de encarar é o fato de você se arrumar, tomar banho, passar um perfume, e ir pro metrô (que já estará lotado!) e se dar conta que o vagão que você entrou é do "Encontro Diário dos Naturalistas de São Paulo", onde nenhum cidadão sabe o que é um sabonete, um shampoo, ou pior, uma escova de dentes!!! Você acaba se sentindo um estranho no ninho; ninho de gambas.


Mas existem outras "tribos" que habitam as manhãs do metrô. Tem também aquele cidadão que não tomou banho, mas não assume que é um porco. Ele simplesmente acorda, enfia a cabeça debaixo de uma pia de água gelada (deve ser por isso que não tomou banho) e depois passa um "gelzinho" pra dizer que ta limpinho. Existem ainda as pessoas que não aprenderam o significado da palavra CORREDOR, elas acham ainda que é algum atleta. Se bem que elas também não devem saber o significado de ATLETA. Mas enfim, esse tipo de gente, geralmente composta por velhinhas "simpáticas" adora ficar na porta e não ceder passagem para quem, como quem não quer nada, precisa entrar e sair na estação certa.

Estação Sé do metrô, impossivel sentir-se abandonado.


Mas as melhores cenas nós devemos à um aparelinho que era imaginado somente nos antigos filmes de ficção científica: o celular. Se antes as pessoas se maravilhavam com o fato de poder falar com qualquer pessoa, em qualquer lugar (desde que a sua operadora tenha sinal, e o seu telefone tenha crédito) agora elas já nem se lembram que essa é a função básica da coisa. O celular agora manda recado, tira foto, envia foto, deixa recado, entra na internet, no twitter, no msn, no youtube... Caramba!



E é por esse pequeno aparelho (às vezes não tão pequeno assim) que as pessoas esquecem da vida. Esquecem principalmente de se equilibrar, e quando elas se lembram, existem duas possibilidades, ou a Lei da Gravidade se faz presente, ou elas caem no colo de alguém.



Hoje foi assim. Estava eu, ouvindo música, por volta da estação Tatuapé e a menina na minha frente não parava de digitar. Eu não sei quantos torpedos ela tava mandando, mas dava pra escrever um tratado de direito com o tanto de coisa que ela escrevia. O fato é que ela simplesmente esqueceu que o metrô ia parar uma hora. Vocês já repararam como mulher gosta de saltos finos? Daqueles que ela tem que se equilibrar na ponta do pé, porque nem ela sente firmeza no salto? Então, eu percebi especialmente hoje. A menina nem era gordinha, mas nem precisou. Ela fincou aquele salto agulha no meu pé e me fez entender de onde vem o nome do sapato!!!



O pior é que, além de tudo, ela pensou que eu estava abusando dela (como se qualquer homem tivesse fetiche de ser empalado pelo pé por uma desconhecida no metrô as 6 horas da manhã; e de surpresa ainda). Ficou olhando feio pra mim, como se a culpa de ela quase cair fosse minha. Pensando bem, eu evitei que ela caísse, não que eu quisesse.



Podia ser pior? Pois ficou. Porque na hora que ela foi puxar o sapato do meu pé, o salto enganchou no cadarço, e ficou aquela situação, puxo eu, puxa ela, a coisa não solta... soltou! Ufa. Ela me encara. Que medo. Olho no rosto dela e faço um sinal, como se tivesse alguma coisa presa no nariz dela. Ela fica vermelha e vira pro outro lado para "limpar". Mentirinha, não tinha nada, mas pelo menos elas parou de me encarar.


É por isso que eu não entendo as pessoas que dizem que as pessoas não se conhecem em São Paulo. Nós cruzamos com milhares de pessoas todos os dias, falta apenas pararmos para olhar em volta. Tem gosto pra tudo.



Aliás, se você é loira, por volta de 1,65 de altura, usa salto agulha, solteira, olhos verdes, trabalha perto da Av Paulista e estava no metrô hoje de manhã, fique tranquila que não foi você que pisou no meu pé, mas se quiser, me ligue assim mesmo! BJO